| 20/jun/26 | Calendário | 22/jun/26 |
| Berat / Saranda - dom 21/jun/26 * 20,11 km * (60 fotos) | Mais fotos: | Álbum | Slide show | Vídeos |
Aproveitando que acordei cedo, comecei a reparar nas várias vantagens em pegar a primeira ligação para Saranda. A mais óbvia era chegar na cidade na hora do almoço, evitando ser recepcionado muito no fim do dia. Também não dava para desconsiderar que seria bem mais cômodo caminhar com o sol mais fraco, evitando seus raios escorchantes de um horário mais avançado. Ainda teria a oportunidade de contar com mais um serviço no dia, em caso de algum imprevisto. Finalmente estaria desistindo de um café da manhã que, embora satisfatório, não era nem um pouco extraordinário. Tudo já estava embalado desde a noite anterior e só precisei deixar a porta aberta com o cartão chave em seu receptáculo para a arrumação da camareira. Não existe uma porta trancada para impedir a saída do hotel, já que a escada era externa e às 6:30 h estava iniciando o percurso de quatro quilômetros. Cheguei à rodoviária às 7:15 h, 45 minutos antes da partida. Aparentemente a escolha h
avia sido acertada, só faltava aguardar. Perto da hora da saída, o veículo já estava lotado e dois banquinhos foram montados no corredor. Metade falava espanhol. O motorista havia esquecido de ligar o rádio e pouco antes desistiu de pegar uma passageira no meio do caminho, por alguma razão desconhecida, já que havia ainda dois lugares, talvez reservados. Outra família mais adiante teve a mesma sorte. Quando outros entraram, a mulher recém embarcada arrumou um barraco porque a velha não queria sentar na janela e vagar a poltrona do corredor. Precisou de um passageiro gentil do primeiro banco para ceder o lugar. Eventualmente a recalcitrante aceitou se mover para o canto. Os espanhóis do fundo estavam muito indignados com o ar defeituoso e outro banco foi providenciado para o passageiro gentil, que acabou ficando de pé porque o banco quebrou com ele sentado. Houve um momento em que o condutor fez o retorno e voltou para buscar outra velha. O veiculo d
e 19 lugares completou a viagem na maior parte do tempo com 28 almas. Quase no final, o cobrador passou pegando o dinheiro e não fez nenhum esforço para facilitar a compreensão dos estrangeiros. Repetia insistentemente as condições em albanês, como se alguém estivesse entendendo alguma coisa, sem ser capaz de produzir uma única palavra em inglês. Não sei qual foi a solução, porém o casal espanhol que viajou nos banquinhos queria pagar menos. A parada em Saranda, depois do trajeto bastante conturbado, era bem na esquina do hotel, mas não sabia se todos os destinos seriam atendidos daqui. Para os próximos dias tinha duas atrações programadas, uma delas longe demais para completar a pé. A outra também é distante, porém dava para encarar. O proprietário não quis receber o pagamento hoje, o que não me agrada muito. O primeiro teste da rede não funcionou, contudo, quando ele acessou ao me mostrar o quarto, aparentemente estava tudo normal. O cheiro de esg
oto do banheiro é insuportavel, muito mais forte do que as fedidas casas de banho do Montenegro. Deixei a porta da varanda aberta para ver se o odor no quarto não fica tão empesteado. Após meia hora para a instalação no novo albergue, saí para uma volta pelo porto. Ao tentar entrar, o segurança pediu para ver meu bilhete e me indicou onde comprar. Teria que fazer a aquisição de qualquer jeito e decidi resolver o problema logo. A saída da Albânia estava marcada para daqui a três dias e agora em definitivo. Iniciei uma caminhada por ruas paraletas ao mar. Desse lado do centro as praias são reservadas para os hotéis, apesar de terem acesso público. Deu para perceber a diferença enorme entre o mar desta parte sul do país e as outras praias por que tenho passado. Não há comparação e acho que é por isso que chamam a região de Riviera albanesa. Após as habitações e hotéis começarem a rarear, a rua pavimentada virou estrada asfaltada e logo trocou o piso po
r terra batida. Havia escolhido um ponto aleatório até onde pretendia passear. À medida que me aproximava percebi que havia uma praia isolada e deserta onde pensava em iniciar o retorno. Contudo, não consegui chegar lá. Um bando de vacas, animais pacatos e curiosos, pastava calmamente nas vizinhanças, bloqueando meu caminho. Normalmente isso não teria sido problema, se não fossem os chifres virados diretamente para mim. Achei mais prudente ver a prainha apenas de longe e deixar os bovinos em paz. Durante o percurso, havia reparado na quantidade de barcos e lanchas cheios de turistas e imaginei que deveria haver alguma atração pelas redondezas. De fato, as embarcações desapareciam sob o penhasco, indicando a existência de uma gruta que recebia a visita de grupos. Procurei alguma trilha descendo as encostas do morro, porém não enxerguei nada. Talvez a única forma de entrar fosse pelo mar. O sol já bem baixo anunciava a hora de retornar para o hotel.