| 18/jul/18 | Calendário | 20/jul/18 |
| Kefalonia - qui 19/jul/18 * 45,73 km * (69 fotos) | Mais fotos: | Álbum | Slide show | Vídeos |
Após alguns dias parado consegui vencer a preguiça e deixei o quarto às 7:30 h para tentar realizar uma longa caminhada pelas praias do sul da ilha de Kefalonia. Nessa parte eles têm um ônibus que sai num horário mais razoável mas a última das três voltas durante a semana é no meio da tarde, às 15:45 h, o que inviabiliza, se não a ida, pelo menos o retorno motorizado. De qualquer modo isso não me dizia respeito, já que pretendia completar
os dois sentidos a pé. Nos primeiros doze quilômetros, até Skala, a estrada é essencialmente costeira e com alguns trechos ao nível do mar. Pouco antes de chegar ao balneário bastante turistico, às 10:00 h, após avistar as escavações do templo arcaico e de visitar o interior da pequena capela anexa, fiz um desvio para o interior e para cima para andar até o fim do trajeto programado na cidade de Katelios (leia cateliós). Após alguns desenc
ontros com o mapa eletrônico retomei a estrada principal e mais movimentada mas logo surgiu uma descida para a praia de Mounda (leia múnda). Analisando a geografia percebi que poderia conhecer três praias com uma só descida e desisti da rodovia. Kaminia (leia camínia) é uma extensão da longa faixa de areia de Mounda e, de acordo com o aplicativo, havia um caminho do final da areia para a praia vizinha em Katelios, passando pelas rochas. De
fato uma trilha podia ser identificada em alguns pontos devido ao solo amassado, porém a maior parte da travessia era pelas pedras. Já havia colocado o chinelo na sacola para andar pela areia e achei que teria muito mais firmeza se continuasse descalço. Venci os quinhentos metros sem muitos problemas mas resolvi fazer o percurso de volta pela estrada nas alturas. Teria que subir de qualquer forma porque um grande trecho do litoral só tem
penhascos. Após uma hora de descanso em Katelios iniciei o retorno, que ainda previa uma parada intermediária na praia de Spithi, envolvendo descida e subida antes de descer novamente para Skala. No percurso de volta, ponderando sobre a conveniência de deixar a praia restante para amanhã, último dia na ilha com nada definitivamente programado, achei que poderia ser uma possibilidade de um pouco mais de exercício. Estava tão entretido nos p
ensamentos que nem percebi o desvio para baixo. Ele deve ser meio escondido e talvez meu subconsciente já tivesse decidido por mim. Entrei no balneário de Skala, sem dúvida bastante mais adaptado ao turismo, com muito mais movimento e lojas. Mas, principalmente, supermercados. Não entendo como Poros, uma ligação marítima importante com o continente pode conviver com tão poucas e tão mal abastecidas lojas de suprimentos alimentícios. Como t
al não era o caso de Skala, não deu para me segurar com a variedade e cometi a loucura do dia. Tinha tudo que precisava, era muito mais barato e a máquina entendeu meu cartão na primeira tentativa. Na realidade nas duas primeiras tentativas porque, percebendo que poderia me abastecer com mais eficiência, retornei ao mercado para complementar a compra. Claro que me contive pensando nos passos seguintes, porém saí carregado para percorrer os
12 quilômetros faltantes até o hotel. Não foi das caminhadas mais tranquilas e parecia que não ia acabar nunca. Para completar, duas ladeiras antes do final, uma forte ventania começou a soprar. Em um momento, quando me aproximava do porto, uma rajada mais forte levou embora meu boné. Vinha tentando levantar os braços para tentar evitar a perda mas o peso das sacolas não permitia muita flexibilidade. Já estava dando adeus ao adereço quand
o ele resolveu parar perto do meio-fio. Retrocedi os metros necessários e, com dificuldade, me abaixei para recuperar a proteção de careca. Cheguei a vestir novamente mas o sopro mais forte seguinte me convenceu que a melhor opção era carregá-lo na mão. Fechei a porta do quarto na dúvida se deveria me jogar na cama, pular direto no chuveiro, ou emborcar um litro de suco de laranja. Fiquei com a terceira opção, que pareceu a mais essencial.