| 02/jun/26 | Calendário | 04/jun/26 |
| Prishtina - qua 03/jun/26 * 14 km * (54 fotos) | Mais fotos: | Álbum | Slide show | Vídeos |
Acordei definitivamente às 8:00 h com o sol entrando pela janela. Desci para fazer a refeição matinal, servida no bar barulhento do hotel. Meio perdido, não via nenhum balcão com bufê como esperava e sentei numa mesa do canto. Logo se aproximou o garçom, cujo nome entendi como sendo Advar. Trouxe um copinho turco com chá preto e desapareceu. Fiquei me perguntando se aquele seria o café da manhã oferecido por causa da demora em ver algum movimento. Finalmente retornou o Advar com um prato com divisórias e recitando um monte de nomes em português, que ima
ginei fossem ídolos de futebol. Nessa altura minha nacionalidade já havia sido anunciada por todo o ambiente e o simpático garçom não parava de repetir Brasil para todos os atendentes e clientes. O tipo de atenção que adoro receber. Apesar disso, foi essa simpatia que impediu a refeição de ser uma tragédia total. O serviço não contribui nem um pouco para reverter a má impressão inicial da acomodação. Omelete, três torradas e três pastéis cozidos sem gosto, que cobri com queijo muito salgado e consistência de ricota. Na saída o funcionário insistia em se
despedir com soquinhos, formação de coração com mãos de individuos diferentes e simulação de asas em voo, também criadas por duas pessoas. Me senti um completo alienígena. Estava com grande vontade de passar o resto do dia sob as cobertas, mas imaginei que essa atividade teria que ser reservada para o dia seguinte, horroroso segundo a previsão metereológica. Tentei identificar os principais pontos turísticos do centro com a ajuda do mapa eletrônico e montar um roteiro básico. Comecei pela Esplanada Madre Teresa, perto do hotel. No extremo da via de ped
estres ficam a sede de Governo, o Parlamento e o Palácio Presidencial da República do Kosovo. As imediações estavam policiadas e interditadas para comuns mortais porque uma delegação europeia estava sendo recebida. É impossível andar pela cidade sem se deparar com recordações das guerras de 1998 e 1999 com a Sérvia. Monumentos e esculturas tocantes mantêm viva a memória dos tempos difíceis. No outro extremo do calçadão fica a Catedral Madre Teresa de interior simples, lembrando a freira de origem albanesa que trabalhou na Índia. Ao lado encontra-se uma
grande praça com algumas faculdades da Universidade de Prishtina e a Biblioteca Nacional, com sua arquitetura inusitada dos 99 domos e fachadas cobertas por estruturas de ferro lembrando grades. Entrei em uma livraria para sair com mais duas edições em albanês de O Pequeno Príncipe. Retornei à rodoviária para consultar os horários para a próxima base na sexta-feira. Já havia feito a pesquisa pela internet, mas preferia comprar pessoalmente. No terminal não existem guichês e as passagens são adquirias diretamente no ônibus. A importância da ligação se re
flete na frequência de partidas a cada 30 minutos. A possibilidade de ir para Pejë/Peja (ë tem som de a em albanês, j vale i), num bate e volta ferroviário de duas horas estava nos planos e já conhecia a limitação dos serviços a dois por dia e em horários inconvenientes. Mesmo assim fui até a estação, que não ficava longe, e cheguei bem a tempo de assistir a entrada do último comboio do dia. Reparei agora que a grande quantidade de cães pelas ruas de Prishtina carregam etiqueta de identificação presa na orelha. Esse fato não havia me chamado a atenção n
a Albânia e no Montenegro e não sei se também era assim. Atravessei algumas avenidas para ver a homenagem dos kosovares ao presidente americano Bill Clinton, que ajudou a resolver os conflitos do fim do séc. XX. A parada seguinte foi no agradável Parque da Cidade que, apesar de pequeno, é muito arborizado. Como último destino do dia, segui para a região do Bazar, que surgiu no séc. XV e foi destruido na década de 1950 para dar lugar a novas edificações. O que resta hoje é um aglomerado de barracas de feira e muitas lojas de trajes femininos para noite.