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| Kavousi / Tholos - sáb 03/jun/17 (87 fotos) | Mais fotos: | Álbum | Slide show | Vídeos |
Minha visão do sol nascendo essa manhã não foi tão gloriosa. Muitas nuvens limitavam a passagem dos primeiros raios do astro e só não me desesperei porque o prognóstico afirmava a chance quase nula de chuva. Passei o fim da noite de ontem planejando os deslocamentos dos próximos três dias que teriam como base Aghios Nikolaos, comparando tabelas de horários, distâncias e destinos. Decidi por uma viagem hoje à praia de Tholos (leia tólos), que exigia uma curta descida a partir da estrada que vai para Sitia. O ônibus deveria sair às 8:1
5 h e eu deixei o quarto do hotel com 40 minutos de antecedência para caminhar os dez minutos de ladeiras e escadarias até o terminal. Enquanto aguardava o transporte reparei num passageiro coçando a cabeça e percebi que havia esquecido o boné pendurado no gancho atrás da porta do quarto. Levei um susto logo no começo da viagem. Achei que havia escutado o bilheteiro mencionar o nome de uma cidade que ficava para o outro lado. Já estava pensando na logística de descer na parada seguinte, no entanto pude confirmar com o mesmo funcionári
o, que vinha verificando os bilhetes, que estava no carro correto. De fato, eu não havia ouvido demais, mas reparei mais tarde que ele se referia à transferência no ponto que surgiria pouco à frente. O trajeto de 45 minutos me deixou na aldeia de Kavousi (leia Cavússi), um dos tantos vilarejos grego que têm mais igrejas do que gente. A altitude do local era de 140 metros o que me levou a acreditar que teria que enfrentar uma descida pronunciada. No entanto os três quilômetros até o mar puderam ser percorridos por uma estrada tranquila
, ladeada por pinheiros e de declive bastante suave. O lado bom da falta de sol foi que não iria perder o escalpo, mas já estava cogitando voltar mais cedo para pegar o ônibus anterior ao pretendido inicialmente. Depois de chegar na praia forrada de pedras e quase deserta a estrada continuava por mais dois quilômetros até atingir nova abertura junto ao mar. Esse trecho foi bem mais penoso porque exibia subida íngreme, que chegava à cota de 70 metros acima do nível do oceano. Estava na dúvida se não seria suficiente chegar ao topo, olh
ar para a água lá embaixo e retroceder sem descer quando um portão trancado impedindo o prosseguimento tomou a decisão por mim. O mapa eletrônico mostra muito bem o caminho mas não aponta nada sobre as condições do percurso. Voltei para a praia principal e segui os poucos metros pela via paralela ao litoral até enxergar uma placa com informações históricas. Aprendi que o assentamento existia desde os tempos minóicos e que na época romana foi usado como ponto de transbordo de grãos entre Alexandria no Egito e a capital do império. Os n
avios descarregavam na costa sul de Creta, de onde os produtos eram transportados por terra através da parte mais estreita da ilha e armazenados numa grande construção, cujas paredes ainda estão de pé. O armazém de grãos e líquidos de Tholos media mais de 50 metros de comprimento com teto abobadado e várias ânforas foram encontradas em seu interior. No período próprio os carregamentos completavam a rota marítima até a Itália. Para aproveitar um pouco do pequeno espaço que se abriu no céu encontrei uma região de rochas espalhadas pela
orla na entrada da baía perto do pequeno atracadouro, onde passei meia hora sob o mormaço. Às 11:45 h comecei a duvidar da previsão seca e achei melhor iniciar a caminhada de volta para Kavousi. O ônibus seguinte só sairia de Sitia às 14:30 h e deveria levar uma hora para chegar no entroncamento em que devia aguardar. Seria portanto uma espera longa e não sabia exatamente o que fazer para passar o tempo. Isso foi resolvido quando entrei novamente na cidade e iniciei a consulta ao mapa informativo sobre as atrações da região. Além da p
enca de igrejas ortodoxas Kavousi também é pródiga em trilhas para caminhadas. Com o enquadramento montanhoso espetacular não é difícil entender a razão. O monumento que chamou a atenção dentre as possibilidades apresentadas foi a oliveira milenar. O GPS calculou a distância pela rota de pedestres em pouco mais de um quilômetro, um passeio curto que permitiria estar de volta em tempo de pegar o transporte para a hospedagem. Comecei a subir as ladeiras da vila e logo fui direcionado para uma trilha bastante inclinada, formada por chão
batido em partes e também por trechos calçados com pedras. A vereda atravessava a estrada serpenteante que ia para o mesmo lugar. Em meia hora cheguei ao local da árvore gigantesca, a 270 metros de altitude. Algumas estatísticas apresentadas em um quadro próximo demonstravam as dimensões mais extravagantes, como diâmetro do tronco de quase cinco metros e copa de mais de 34 metros de circunferência. O que me impressionou mais, no entanto, foi a estimativa da idade. Segundo os cientistas, baseado no tamanho do vegetal, seu padrão de cre
scimento e a umidade local, entre outros fatores, a árvore tinha mais de 3.200 anos e vários utensílios para preparo de óleo foram encontrados em escavações dos tempos minóicos das imediações, mostrando que aquela civilização já se utilizava da azeitona. Com receio de ter dificuldade na descida, resolvi retornar pela estrada pavimentada que, apesar de mais longa e tortuosa, aparentava mais segurança. Contudo a resolução só aguentou as primeiras curvas e logo retomei a trilha mais direta. Com mais de uma hora e meia de antecedência sen
tei no abrigo para aguardar o ônibus sob um impertinente e constante ataque de uma família de moscas. O transporte coletivo grego é bastante confiável e extamente às 15:30 h o motorista estava validando minha passagem. Em meia hora o ônibus entrou no terminal e eu segui para o Museu Arqueológico sem muita esperança de poder entrar, já que as instituições desse tipo costumam funcionar apenas até as 15:00 h. Realmente não deu e para não voltar muito cedo para o quarto, fui para o centro dar mais uma pequena volta pela simpática vizinhança.