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Costa nordeste - 03/dez/18 (18 fotos)Mais fotos:ÁlbumSlide show

O ponto de ônibus atrás do hotel - WillemstadConfiando na previsão de tempo bom acordei às 6:30 h para experimentar o transporte coletivo. Uma hora mais tarde sairia uma condução para a região em que estive ontem e desejava verificar se a impressão formada sobre a praia em Boka Tabla era real. Desci às 7:00 h, com bastante antecedência, para andar os poucos metros até o terminal de Punda bem nos fundos do hotel, de onde saem os ônibus para o lado leste da ilha. Existe um mapa ótimo com o percurso de todas as linhas colado na parede externa do escritório mas não consegui encontrar nada parecido na internet. Os horários, no entanto, já estão instalados no celular em arquivo disponibilizado pelo transportador. De um lado da rua passam peruas pintadas de diversas cores para vários lugares com as paradas principais descritas num cartaz afixado no para-brisas. Contudo eles não apresentam numeração o que acontece com os veículos do outro lado, de aparência mais oficial, maiores e brancos. Tentei fazer perguntas para pessoas diferentes mas eles falam apenas papiamento. Como é uma mistura de espanhol, inglês, holandês e, até, português, dá para entender alguma coisa no papel. Mas oralmente é impossível para o meu estágio. Atravessando para a calçada ao lado reparei num ônibus grande com letreiBoka Tabla - Curaçaoro para o local aonde pretendia ir. Me senti um estúpido perguntando se ele ia para a cidade indicada no exterior, mas achei melhor confirmar. Inicialmente o motorista murmurou na língua local e, percebendo que eu não compreendi nada, pronunciou alguns balbucios em inglês. Diversos passageiros já se acumulavam na entrada mas o condutor só deixa subir na hora da saída, que foi bastante pontual e ele mesmo devolve o troco. Aqui os usuários podem aguardar sentados a parada total do carro e então levantar e se dirigir para a saída. Minha viagem durou 20 minutos porque eu saí antes do ponto final, até onde pretendia ir originalmente. Acompanhando o trajeto pelo GPS notei que a linha estava se desviando da área para a qual planejava seguir e o cálculo do aplicativo demonstrou que eu deveria caminhar outros sete quilômetros. Quando cheguei em Boka Tabla percebi que não era o lugar de que me lembrava. Apenas o lixo se parecia com o local predileto de ontem. Entrei novamente na trilha do penhasco e caminhei mais dois quilômetros. A enseada intermediária, Boka Grandi, talvez seja a mais bonita. Contudo, sendo cercada por paredes rochosas, não permite ficar ao nível da água. Chegou o trecho dos lamaçais mais críticos e que ainda não haviam secado. LemBoka Labadera - Curaçaobrei de carregar o chinelo na mão mas os pés ficaram cobertos até o tornozelo pelo barro. A parada seguinte e definitiva foi em Boka Labadera, aquela do chão forrado de pedras em que pensava desde a saída. O céu estava bastante limpo e o vento refrescante. O mar formava ondas muito fortes e eu pretendia, no máximo, molhar os pés na beirada. Por volta do meio-dia comecei a ficar meio entediado e resolvi entrar de corpo inteiro. A água era fria mas excelente e comecei a repetir a sequência de mergulhar e voltar para a praia até secar novamente. As ondas enormes que se formam na entrada da boca a uns cincoenta metros na direção do mar aberto são amortecidas por um banco de pedras ocupando toda a largura da abertura e, ainda assim, chegam no raso com grande energia. Pouco depois das 13:30 h, quando achei que o sol não fosse mais dar sinais de querer desligar, uma enorme nuvem escura começou a se aproximar rapidamente para estragar a festa. Juntei tudo e me preparei para a longa caminhada de retorno. Foi apenas alarme falso. Ela era grande e barulhenta e, apesar de ir em outra direção, pude sentir os restos de pingos da água que ela continha. Poderia aproveitar mais 30 ou 60 minutos porém a distância até o hotel não havia diminuído e era possíveRochas escavadas em Boka Labadera - Curaçaol avistar outro banco de nuvens ao longe. A trilha que o mapa apontava me levou mais uma vez para as piscinas de lama. Tentei fazer um desvio mas dei de cara com outra maior ainda. Tentei posicionar os primeiros passos e senti que aquela era a receita certa para ficar atolado. Resolvi ir para o lado oposto na direção da praia Kanoa, de onde entraria nas vias urbanas. Que horror! Quando faltavam cinco quilômetros para a hospedagem me deu uma dor de barriga incrível. Tentei aguentar até o final porém, depois de cinco minutos, não deu mais. Ou era ali ou seria pelo caminho. Estava numa auto-pista em que não costumam transitar pedestres. De um lado passavam os veículos, do outro ficava um grande lago e eu estava andando ao lado da vegetação que descia o pequeno barranco. O medo era de perder o equilíbrio e cair dentro da água. Isso não aconteceu mas, depois do primeiro alívio, percebi que o chinelo ficou no caminho. ARRRH! Como é que as mães, e alguns pais, conseguem cuidar de filhos pequenos? Com vários episódios durante o dia e a noite e todos os dias! Cheguei no quarto para um merecido e necessário banho extra longo para me livrar do acúmulo de barro, diversas camadas de protetor solar, suor, sangue coagulado, água salgada e demais resíduos.